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Pedrinha azul.

Hoje eu queria ser feita de pedra. Ser feita do mármore mais bonito e mais negro que existe.

Eu não queria mais ouvir, sentir ou viver alguma coisa.

Não, eu não estou pra suicídio. E muito menos com aquela frescurinha de “sentimento morto e enterrado” que as pesoas têm mania de chamar de “depressão”. Longe disso.  Que se foda a depressão. Hoje eu estou pro “ta doendo e quero que isso pare já”.

Sabe quando você quer sumir de tudo e de todos? Sabe? Então me ensina ai, porque eu to querendo fazer isso tem um tempinho.

É tanta coisa nessa cabeça que não para de pensar, esse peito que não para de doer, e esse corpo todo, que não para de sentir. Sentir aquelas malditas dores que a gente pensava que nem sentia mais. Eu, pelo menos, estava sem isso, sem essas dores, sem esses pensamentos.

To chateada com a política. To chateada com essas crianças que dão dores de cabeça. Estou, completamente revoltada com injustiça. E eu falo de todas as injustiças existentes. Desde a história de Chico Mendes, até a derrota do Brasil na última copa do mundo.

Eu fico doente quando vejo o amigo que trai o outro amigo. Ou aquele papo do moleque que a gente confia na hora que vai estacionar o carro. Essa é a pior espécie. To com raiva do cara que a gente ama, aquele que sabe que é amado e ainda vacila feio, te falando o que você, nem ninguém nesse mundo, não merece ouvir.

Eu to revoltada, magoada, amargurada por ser tudo difícil.

Ta, você vai me chamar de mimada, fracote e mulherzinha, e que se eu to achando ruim, é pra eu procurar coisa melhor pra fazer.

Pois era isso mesmo que eu estava pensando em começar a fazer.

Pra gente não se incomodar mais com o mundo,  temos que nos desligar de tudo, não é?

Pois então, vou ler os livros que tenho (quero) ler. Vou terminar minha dissertação pro meu curso (de uma vez por todas). Vou avisar pra todo mundo que meu celular não recebe mais ligação de gente inútil. Vou queimar minhas revistas com notícias do mundo; e por quê não queimar, também, os livros? Vou parar de ver TV. Vou até sair da frente do computador e, me obrigar ao máximo a ficar trancafiada dentro do meu quarto.

Vou me prender à minha imagem no espelho.

Como nunca fiz isso antes, e as pessoas dizem que é fácil se desligar das coisas, acho que é um bom caminho, um ótimo começo.

Isso mesmo. Vou seguir a musiquinha do “to nem ai, to nem ai. Não vem falar dos seus problemas que eu não vou ouvir”.

Mas, porra! Espera ai. Você ta me dizendo que não é bem assim?

Vai me dizer que estou sendo radical?

Como eu adoro os seres humanos e suas jogadas de “não é bem por ai”. Ou é, ou não é, meu bem.

Ahhhhhh. Então como é?

Como se esquece? Como se desliga? Como se deixa prender por outras coisas?

COMO ESQUECER ESSAS DORES E ESSES SENTIMENTOS? COMO? (estou gritando pra você que disse que é fácil)

Eu to tão cansada, sabe?

Tudo poderia ser mais fácil, mas NÃO É.

Eu poderia estar preocupada só com a minha vida, mas isso também me causa problemas. Hoje mesmo, por exemplo, eu já nem me sinto mais a grandalhona (mentira. Sempre vou me sentir). Não sei como sair de certos buracos que a gente mesmo cavou. Se vou ter pique pra ir a aula amanhã, ou ceder pra um convitinho de fulaninho pra me fazer rir.

To com raiva até da bebida. Ela é a que mais me faz lembrar das coisas. Daquelas coisas que eu queria, desesperadamente, esquecer. Que ódio da bebida!

Fico imaginando uma pedra. Porra, uma pedra. Ela está ali, paradinha, sem fazer nada a ninguém, e ainda tem gente que a odeia. Sério, não é viagem minha. Dê uma topada na dita cuja pra você saber do que eu estou falando.

Pois bem, voltando a pedra: ela estava no cantinho dela, sem mexer com ninguém. Ninguém a notava, a não ser que ela fosse bonita ou estivesse em um lugar de destaque. Um dia, joãozinho bate sem querer os olhos nela. Nossa, acha a bichinha  bonita e a leva pra casa. Olha pra ela, fala que é a coisa mais bonita que já viu (gente, existem pedras bonitas. Suponhamos que essa pedra seja azul. Assim fica mais interessante). Depois de um tempo, a pobre cai no chão (porque um dia, as coisas caem mesmo) e ele, o tal apaixonado Joãozinho, bate seu lindo dedo mindinho na pedra azul. Sabe “a topada”? Aquela que você manda até a tua imagem no espelho à puta que a pariu? Pois bem, nasce o ódio pela pedrinha. E ele roga pragas e mais pragas, e a pobre “coisa” nem tem como se defender. Porra, e como teria? Pedra não fala, po.

Sinto que joãozinho jogou a pedra fora. Aquela que ele tanto gostava. Vocês sabem o final disso. Sabem que eu to me sentindo essa pedrinha, né?

Poisé, desabafando com uma amiga um dia desses, pensei que eu teria todos os motivos do mundo pra não estar mais entre os vivos. As pessoas que eu mais amo nessa vida me trataram como lixo uma vez na vida (ou várias). E eu falo de gente de casa mesmo, sabe? Daquelas que a gente nasce, cresce, se atura e faz de tudo pra não cometer homicídio. Os parentes. (tive e tenho muitos problemas com isso. Mas deixemos de lado)

O fato é que estou me sentindo como esta merda de pedrinha azul (hoje). E sei que isso vai passar lá pra uns dias. Vou dar minhas gargalhadas e soltar minhas piadas. ME CONHEÇO (e vocês também).

Mas enquanto isso não chega, deixa eu dizer que ta doendo?

Hoje eu estou tão sensível que queria mesmo mostrar esse ladinho (zinho) meu.

Deixa eu chorar na frente dos outros?

Deixa eu desabafar pra um desconhecido? Porque eu queria muito um abraço.

Deixa, por favor, eu mostrar que estou sofrendo que nem um cão sarnento e essa minha cara dura, nada mais é que um orgulho ferido?

Todas as noites eu penso: “Hoje vou pedir pra acordar com amnésia amanhã”. Pra esquecer tudo quando acordar, pra não ter que ficar triste de novo. E Hoje eu to pedindo pra você deixar eu sofrer, porque, quem sabe assim, eu esqueça junto com o grito que vai sair, a lágrima que vai descer, o olhar perdido no nada e as lembranças que vão surgindo. Vou tentar apagar tudo com aquela borracha que a gente pensa que tem (eu penso. Você não?).

Sério, vou chorar o choro mais dolorido. Aquele que eu guardei dos dias passados e não tinha coragem de derramar. Por mais que eu dissesse que fosse de raiva, mas você sabe que é por amor desperdiçado.

Tudo isso porque eu estou me sentindo aquela droga de pedrinha azul.

 

Naiane Feitoza

 

*escrevi esse texto ouvindo More Than Words (extreme).

 



Escrito por Naiane Feitoza às 05h04
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Revolta reservada

 

Fiquei realmente arrasada com a derrota do Camilo Capiberibe nas eleições para prefeito de Macapá. E senti que não estava só quando recebi inúmeros e-mails e conversas no msn de amigos lamentando a derrota. Há muito tempo não via uma mobilização tão grande pelo menos no universo no qual vivo. Camilo seria uma renovação. Uma esperança de, pelo menos, alguma coisa diferente. O tal novo começo de era que Lulu Santos cantou, com gente fina, elegante e sincera.

Sinceramente não conheço muito do Roberto Goes (a não ser por sua enorme família que insiste em ficar no poder em Macapá), nem tenho nada completamente contra, a não ser o fato dele me parecer igual aos outros. Mais do mesmo. Um Waldez  mais jovem. Engomadinho com aqueles discursos prontos. E, de certa maneira, até mesmo cafona. Uma continuação do que já está. Pode até ser que melhore alguma coisa. Mas a essência vai continuar intacta.

Pena. Acho que a renovação se faz fundamental quando as coisas não andam bem. De qualquer jeito, meus parabéns ao Camilo e à Família Capiberibe, em quem sempre votei para o Senado, Governo e Prefeitura, essa família é da linhagem  dos poucos politicos que nunca me decepcionou. Sempre peitou o Brasil velho, obsoleto e coronelista que reina em Brasília. Sem falar em outra$ coi$a$ mai$.

Minha querida Macapá pode até não perder. Mas com certeza deixa de ganhar.

Apesar de estar longe e ausente dela, peço que só não pare de rir. Nem de fazer rir. O resto, a gente vê se conserta nas próximas eleições.

 

 

 

** Este lindo e dramático texto não é meu. Bem que eu queria ter essa "classe" pra falar DO que aconteceu no meu estado.

Mas, como sempre leio o Blog do Bruno Mazzeo, vi que ele também sentia a mesma dor que eu. Então, por ser honrada em minhas coisas, afirmo com as palvras dele (e minhas também) que está doento esta derrota, e dói mais ainda (o que nem quis citar no texto) a BURRICE das pessoas. Talvez nem cheguemos a tanto. Talvez não seja burrice, mas CEGUEIRA.

E Não, não estamos no livro do Saramago "Ensaio sobre a Cegueira". Esta droga é real, infelizmente.

 

Meu silêncio à ignorância.



Escrito por Naiane Feitoza às 18h59
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